Presidente Bolsonaro pode ser afastado do cargo nesta semana

News Report 12/05/2020 Relatar Quero comentar

Uma delegada e seis delegados prestarão depoimento no inquérito que investigará as acusações feitas por Moro.

Esta será com certeza uma semana decisiva para a Procuradoria-Geral da República (PGR) dar um veredito quanto acusar ou não o Presidente Bolsonaro por corrupção passiva privigeliada, intervenção na Justiça e advocacia administrativa ao tentar intervir nas investigações da Polícia Federal.

Entre segunda (11) até quinta-feira (14), três ministros de Estado, seis delegados e uma mulher deputada federal prestarão seus depoimentos quanto a investigação no inquérito quanto a verdade nos fatos expostos por Moro contra o presidente.

O ministro Celso Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), irá decidir por esses dias sobre a publicidade da gravação em vídeo da reunião ministerial onde o presidente supostamente ameaçou Moro de demissão, se não aceitasse a troca do diretor-geral da PF.

Na investigação, Bolsonaro poderá ser acusado pela PGR e, caso a Câmara dos Deputados aprove quanto ao prosseguimento das investigações, será afastado de imediato do cargo de Presidente, por 180 dias.

O encontro ministerial que foi filmado foi citado por Moro em seu depoimento à Polícia Federal. Interlocutores do governo estão apreensivos quanto a divulgação da gravação, podendo trazer uma crise ainda maior, uma vez que as pessoas lá presentes diziam que, na ocasião, outros ministros haviam feito pesadas críticas aos Poderes Legislativo e Judiciário.

Celso de Mello autorizou que o ex-ministro, Bolsonaro e a PGR assistam ao vídeo, em "ato único", antes que seja decidido o sigilo ou não do mesmo. De acordo com o advogado, Rodrigo Sánchez disse na terça-feira (12).

Após a demissão, Moro irá voltar a Brasília pela primeira vez para assistir o vídeo. Passou os últimos dias em Curitiba.

Ao ser demitido do Ministério da Justiça e Segurança Pública dia 24 de abril, Moro disse que Bolsonaro queria trocar o diretor-geral da PF à força, Maurício Valeixo, colocando alguém de sua confiança e contato direto no lugar. Na manhã do mesmo dia, foi publicada no Diário Oficial, a exoneração de Valeixo. Nesta segunda-feira, ele irá à PF como testemunha no inquérito que será apurada as acusações de Moro.

O objetivo para tal mudança era que ficasse fácil o acesso de Bolsonaro aos relatórios de inteligência e detalhes das apurações em andamento, cuja qual viola a autonomia da PF, prevista em lei.

O escolhido do presidente para comandar a PF e obedecer seus pedidos na corporação, segundo o ex-ministro, seria Alexandre Ramagem, que dará seu depoimento nesta segunda. A oitiva é vista como uma das mais importantes por Ramagem ser considerado peça-chave nos relatos de Moro.

Atualmente é diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), ele é bem próximo da família Bolsonaro e, após saírem Moro e Valeixo se demitirem, até chegou a ser indicado para comandar a PF, mas foi vetado pelo ministro Alexandre de Moraes. Diante disso, o presidente indicou Rolando de Souza, braço direito de Alexandre Ramagem na Abin, para o cargo.

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